domingo, 30 de setembro de 2007

Cansado?


Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como o quê?
Se soubesse, não haveria em mim esse falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, veja
Confesso: é cansaço!...

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Nem sempre desejo interação. Simplesmente preciso me perder nas minhas próprias divagações de vez em quando... Curioso que a todo o momento pensava em uma pessoa que eu não sei o nome, não sei como é, não sei o que fazia naquela hora, fruto da minha mente e pertencente a uma das milhares de luzes provenienete de apenas uma das casas pelas quais passei voltando do Rio. E o grupo de crianças brincando na penumbra passou, e os pais se divertindo com a filha passou, e o casal apaixonado se beijando ao lado de um poste passou, e o homem que agredia sua mulher na frente de uma farmácia com um público passou, e o casal aguardando ansiosamente a entrada na igreja passou, tudo passou e eu fiquei preso naquele mesmo pensamento, estranho, mas só meu. Quem sabe eu não pensava em mim...

Acho que entendi o que é a dor do parto que uma mulher sente. Deve ser bem próximo a ler "O esclarecimento como mistificação das massas", de Adorno. Aliás, não sei ainda o que fazer em relação ao relatório da Suzy, só que preciso começar a fazer.

Na prática passei da metade dos filmes que assistiria no Festival com "Like A Virgin" hoje, mas teoricamente (e quero muito que se concretize) ainda verei mais 2 além dos já planejados.

4 comentários:

Vivian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivian disse...

Só quero lembrar que a dor do parto é um ser enorme saindo da sua vagina (não a sua porque você não tem uma, da minha por exemplo) e a dor de ler Adorno é de um objeto gigante sendo enfiado no seu cu, um buraco menor e menos flexível.

Luiz Fernando disse...

eu não tenho muito o que comentar depois do comentario da vivian

ele é bastante explicativo

B. disse...

Quero que o Adorno ressucite pra que eu possa mata-lo.

E o comentário da Vivian..bem ele diz tudo hahaha